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O BRASIL ESTÁ QUEBRADO?

A conta não está fechando!

Análise

Em média, nos 12 meses até ago/2026, o setor público gastou, com juros, R$ 3,46 bilhões por dia a mais do que arrecadou. Dívida bruta: R$ 11,055 trilhões (ago/2026), cerca de R$ 51,6 mil por habitante.

Essa diferença vira dívida, e a dívida cobra juros. A conta chega até você nos juros do cartão, no preço do mercado e na diminuição dos valores investidos em serviços públicos.

Fonte: BCB · 12 meses até ago/2026 · média diária = resultado nominal em 12 meses ÷ 365 · setor público consolidado, juros por competência · atualizado em 19/10/2026

Fonte: BCB · ago/2026 · R$ bilhões · atualizado em 30/09/2026

Fonte: cálculo do Brasil Quebrado com BCB e IBGE · ago/2026; população 2026 · R$ por habitante = dívida bruta ÷ população residente estimada · atualizado em 19/10/2026

Dívida bruta do governo geral

82,87% do PIB

ago/2026 · critério BCB

Fonte: BCB · ago/2026 · % do PIB · atualizado em 30/09/2026

02 / 07Dado oficial

Os números que explicam a crise

A dívida bruta já está acima. Abaixo, os outros números — e o que cada um significa para você.

Dado oficial

Juros da dívida em 12 meses · critério competência

1,182 R$ trilhão

dado de ago/2026 ·

O custo de carregar a dívida, somando União, estados, municípios e operações do Banco Central.

No seu bolso: É dinheiro dos seus impostos que paga juros, e deixa de ser usado para construir e manter posto de saúde, escola ou estrada.

Fonte: BCB · ago/2026 · R$ bilhões · atualizado em 30/09/2026

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Dado oficial

Resultado nominal em 12 meses

-1,264 R$ trilhão

dado de ago/2026 ·

Tudo o que o setor público gastou além do que arrecadou, incluindo os juros.

No seu bolso: O que falta é coberto com mais dívida. E a dívida cobra juros, que voltam para a conta.

Fonte: BCB · ago/2026 · R$ bilhões · atualizado em 30/09/2026

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Dado oficial

Resultado primário do Governo Central · critério acima da linha (Resultado do Tesouro Nacional)

-70,7 R$ bilhões

dado de ago/2026 ·

Receitas menos despesas da União, sem contar juros: mostra se ela cobre as próprias contas.

No seu bolso: Sem sobra antes dos juros, a dívida cresce sozinha e pressiona os juros que você paga no banco.

Fonte: Tesouro Nacional · ago/2026 · R$ bilhões · atualizado em 29/09/2026

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Dado oficial

Despesa primária do Governo Central · critério despesa total do Resultado do Tesouro Nacional (sem juros)

201,5 R$ bilhões

dado de ago/2026 ·

O que a União gasta com salários, benefícios, saúde, obras e custeio.

No seu bolso: Gasto que cresce mais que a receita vira cobrança futura: mais imposto, mais juros ou corte de serviço.

Fonte: Tesouro Nacional · ago/2026 · R$ bilhões · atualizado em 29/09/2026

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Dado oficial

Arrecadação federal · critério receitas administradas pela Receita Federal

227,9 R$ bilhões

dado de ago/2026 ·

Quanto a União arrecada em tributos.

No seu bolso: Sai do seu salário e de cada compra: os tributos estão embutidos no preço do que você leva para casa.

Fonte: Receita Federal do Brasil · ago/2026 · R$ bilhões · atualizado em 22/09/2026

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Dado oficial

Carga tributária bruta · critério governo geral; base revisada da edição 2025

32,4 % do PIB

dado de 2025 ·

A fatia do que o país produz que vira imposto, somando União, estados e municípios.

No seu bolso: É a fatia do que o país produz que vai para tributos. Pra piorar, quando o serviço público falha, você paga de novo no privado.

Fonte: Tesouro Nacional · 2025 · % do PIB · atualizado em 10/04/2026

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Dado oficial

Inflação oficial (IPCA) em 12 meses

4,58 %

dado de set/2026 ·

-1,21 p.p. desde dez/2022.

Quanto os preços subiram em um ano.

No seu bolso: Quando os preços sobem mais que o seu salário, o mesmo dinheiro enche menos o carrinho.  Aqui cabe uma ressalva: em que pese os dados oficiais serem positivos, críticos apontam que a inflação cedeu à custa de crédito caro (juros altos) e de crescimento econômico menor (país que cresce pouco não tem problema de inflação).

Fonte: IBGE · set/2026 · % · atualizado em 09/10/2026

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Dado oficial

Taxa Selic

13,75 % a.a.

dado de 16/09/2026 ·

A taxa básica de juros, definida pelo Banco Central; encarece ou barateia todo o crédito.

No seu bolso: É a base dos juros do cartão, do cheque especial, do financiamento do carro e da casa.

Fonte: BCB · 16/09/2026 · % a.a. · atualizado em 16/09/2026

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Dado oficial

Crescimento do PIB

1,9 % em 4 trimestres

dado de 2T/2026 ·

Quanto a economia cresceu, descontada a inflação.

No seu bolso: Economia que cresce abre vagas e melhora salários. Economia parada corta empregos e renda.

Fonte: IBGE · 2T/2026 · % · atualizado em 01/09/2026

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Como chegamos aqui
03 / 07Dado oficial

Como chegamos até aqui?

Análise Governos desde o Plano Real: resumo da política fiscal de cada mandato.

Fernando Henrique Cardoso

FHC · 1995–2002

O Plano Real eliminou a hiperinflação, mas exigiu ajuste fiscal. Em 1994, o superávit primário foi de cerca de 5% do PIB. No segundo mandato veio novo ajuste, com apoio do FMI e da CPMF, e superávits em torno de 3% do PIB. Em paralelo, a Constituição de 1988 já havia contratado o crescimento contínuo das despesas obrigatórias, pressionadas pelo envelhecimento da população.

Luiz Inácio Lula da Silva

Lula I · 2003–2006

O ajuste foi feito mais pela receita do que pelo corte de gastos. O gasto primário do Governo Central subiu de 21,6% do PIB (2002) para cerca de 23% (2006, estimativa), e a receita bruta, de 23,9% para 25,3%. O Ipea chamou o padrão de spend-and-tax (gastar e tributar). A dívida líquida caiu de 59,9% para 46,5% do PIB, o ponto favorável do período. Num ciclo global forte, o PIB cresceu em média 3,5% ao ano, contra 4,0% do mundo e 4,3% da América Latina (Banco Mundial). O crédito saiu de 21,8% do PIB no início de 2003 e chegou a 41,1% em dez/2008; a maior parte dessa alta ocorreu em Lula II.

Luiz Inácio Lula da Silva

Lula II · 2007–2010

O crescimento veio forte, com PIB de 6,1% (2007), 5,1% (2008), −0,1% (2009) e 7,5% (2010), mas o Estado cresceu junto. A folha salarial federal subiu 8,5% ao ano em termos reais entre 2006 e 2010, contra 3,9% no ciclo anterior. O superávit primário recuou de 3,3% do PIB (2008) para 2,6% (2010). Em 2009 o Tesouro começou a financiar o BNDES, e esses empréstimos foram de 0,2% do PIB (2008) a 8,6% (2015). A dívida líquida caiu (46,5% para 38,0% do PIB), mas o período deixou a base de gastos e subsídios que seria cobrada depois.

Dilma Rousseff

Dilma I · 2011–2014

O PIB médio foi de 2,4% ao ano (4,0%, 1,9%, 3,0% e 0,5%), com o IPCA sempre acima de 5,8%. O superávit primário do setor público caiu de 2,9% do PIB (2011) para déficit em 2014. Foi o primeiro déficit do governo central na série iniciada em 1997 (R$ 23,5 bi): a despesa cresceu 12,8% e a receita só 3,6%, e a meta original de R$ 80,7 bi foi abandonada. A dívida bruta passou de 51,5% (2013) para 56,3% (2014).

Dilma Rousseff

Dilma II · 2015–2016

O PIB caiu 3,5% (2015) e 3,3% (2016), uma queda acumulada de cerca de 6,7%. O IPCA chegou a 10,67% em 2015, o maior desde 2002. O governo central fechou com déficit primário de R$ 120,5 bi (2015) e R$ 161,3 bi (2016), o pior da série até então. A dívida bruta saltou de 56,3% (2014) para 69,8% (2016) do PIB, alta de 13,6 pontos em dois anos. Boa parte do problema envolveu passivos com bancos públicos e FGTS a regularizar. O mandato foi interrompido em agosto de 2016.

Michel Temer

Temer · 2016–2018

O Teto de Gastos limitou o crescimento da despesa total à inflação do ano anterior. Não previu gatilhos automáticos sobre as despesas obrigatórias, que dependem de emenda constitucional. Elas continuaram a crescer e comprimiram as discricionárias, como o investimento, o que gerou pressão represada.

Jair Bolsonaro

Bolsonaro · 2019–2022

Aprovou a reforma da Previdência (EC 103/2019), com economia projetada na casa de centenas de bilhões em dez anos (R$ 933,5 bi na versão da Câmara). A dívida bruta recuou do pico de 86,9% do PIB (2020, pandemia) para 71,7% (2022). O governo central teve superávit primário de R$ 46,4 bi em 2022, o primeiro em oito anos. O desemprego caiu do recorde de 14,9% (1º tri/2021) para 7,9% no 4º tri/2022, e o PIB cresceu 4,8% em 2021 e 3,0% em 2022.

Luiz Inácio Lula da Silva

Lula III · 2023–mandato em curso

O governo começou com a PEC da Transição, que ampliou os gastos fora do teto. O arcabouço fiscal permite crescimento real da despesa entre 0,6% e 2,5% ao ano e se apoiou em medidas de arrecadação, sem travas sobre as obrigatórias. Em ago/2026, a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB (R$ 11,055 trilhões), a maior desde dez/2020. Pelo critério do FMI, chega a 94,5% do PIB. Em 12 meses até ago/2026, os juros nominais somaram R$ 1,182 trilhão (8,86% do PIB), e o primário do Governo Central ficou em −R$ 70,7 bilhões (−0,53% do PIB). A carga tributária bruta de 2025 foi recorde: 32,40% do PIB (estimativa preliminar).

Marcos de crises e regras fiscais: dado indisponível.

Carregando gráficos…

Sua vida
04 / 07Análise

Como isso afeta a sua vida?

Da conta pública ao seu bolso

  1. 01

    O governo gasta mais do que arrecada

    Somando os juros, a conta fecha no vermelho todo mês.

  2. 02

    Pega dinheiro emprestado

    Vende títulos da dívida e paga juros altos para quem empresta.

  3. 03

    Os juros do país sobem

    Com risco fiscal maior, o Banco Central mantém a Selic alta por mais tempo.

  4. 04

    Você paga a diferença

    No juro do cartão, no preço do mercado, no emprego e no serviço público.

Onde você sente

AnáliseComprovado

No crédito: dívida para pagar o básico

Com juros altos, a dívida das famílias fica cara e foge do controle. O crédito passa a pagar o supermercado e a refeição parcelada. Quem atrasa vai para a lista de negativados e perde acesso a crédito mais barato.

Famílias endividadas

82 % das famílias

Fonte: CNC · ago/2026 · % das famílias · atualizado em 10/09/2026

Pessoas negativadas

83,98 milhões de pessoas

Fonte: Serasa · ago/2026 · milhões de pessoas · atualizado em data indisponível

Quanto custa R$ 1.000 no rotativo e no cheque especial
AnáliseProvável

No mercado: preço maior e embalagem menor

Frete, insumos e combustível mais caros chegam à prateleira. Para esconder o aumento, a embalagem encolhe — a cartela de ovos passa de 12 para 10 unidades — ou o ingrediente piora. É a reduflação: você paga o mesmo e leva menos.

Calcule o efeito da inflação no seu carrinho
AnáliseProvável

Nos serviços: você paga duas vezes

Cada real gasto com juros não vai para hospital, escola ou segurança. Quando o serviço público não atende, a família de classe média paga de novo: plano de saúde, escola particular e segurança privada.

Compare juros com Saúde, Educação e Bolsa Família
AnáliseRisco potencial

No emprego e na renda: o risco está à frente

Hoje o desemprego está baixo e a renda subiu. Mas juros altos por muito tempo freiam o investimento das empresas. Quando a economia desacelera, as primeiras perdas são vagas e reajustes.

Desemprego

5,3 %

Fonte: IBGE · jun–ago/2026 · % · atualizado em 29/09/2026

Rendimento médio real

R$ 3.777

Fonte: IBGE · jun–ago/2026 · R$ · atualizado em 29/09/2026

Faça a conta com o seu orçamento

Escolha a faixa de renda e informe quanto você gasta. Usamos a inflação e os juros oficiais mais recentes.

Família com renda de 2 salários mínimos · Simulação com gasto informado

Análise

Inflação

dado indisponível

Fonte: IBGE · set/2026 · % · atualizado em 09/10/2026

Simulador de inflação
Análise

Juros

R$ 1.000 por três meses

Rotativo do cartão

Juros: R$ 527,84 · Total: R$ 1.527,84

Taxa: 444,89 % a.a. · anual efetiva

Fonte: BCB · ago/2026 · % a.a. · atualizado em 19/10/2026

Cheque especial

Juros: R$ 239,99 · Total: R$ 1.239,99

Taxa: 136,41 % a.a. · anual efetiva

Fonte: BCB · ago/2026 · % a.a. · atualizado em 19/10/2026

Sem tarifas ou tributos. Não é uma oferta de crédito.

Simulador de juros
Por que não fecha
05 / 07Análise

Por que a conta não fecha?

O inclui os juros. O não inclui essa despesa.

Carregando gráfico…

No seu bolso: os juros da dívida são pagos com os tributos embutidos em tudo o que você compra. Quanto maior a dívida, mais dos seus impostos vai para juros, e menos sobra para o serviço que você usa.

Análise

Despesas obrigatórias e discricionárias

Nove em cada dez reais do Orçamento federal já chegam ao caixa com destino fixado em lei. Isso acontece antes de qualquer decisão do governo ou do Congresso.

A não pode ser cortada por decisão do governo. A pode, e é nela que caem os cortes.

Fonte: levantamento editorial do Brasil Quebrado (referência primária não informada) · orçamento primário da União · % do total · dado atual. Não confundir com os 89,4% da IFI, mais abaixo: aquela conta mede o limite de gastos de 2027; esta mede todo o orçamento primário atual.

Obrigatórias: 92%

  • Previdência do INSS e dos servidores
  • BPC e Bolsa Família
  • Salários do funcionalismo
  • Pisos da Saúde e da Educação

Discricionárias: 8% (cerca de 2% do PIB)

  • Investimentos em ferrovias, rodovias e saneamento
  • Verbas das universidades públicas
  • Custeio dos ministérios: luz, manutenção, sistemas

Por que a parte obrigatória cresce sozinha

  1. 01

    População mais velha

    O número de aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC cresce todo ano. A conta da Previdência cresce junto.

  2. 02

    Benefícios presos ao salário mínimo

    O piso da Previdência e do BPC segue o salário mínimo. Cada R$ 1 a mais no mínimo cria centenas de milhões de reais em gasto permanente.

  3. 03

    Pisos da Constituição

    Saúde e Educação recebem uma fatia fixa da receita. Se a arrecadação sobe, o gasto nessas áreas sobe também, com ou sem ganho de qualidade no serviço.

O aperto sobre o resto

Menos investimento
Para cumprir a meta sem mudar as leis do gasto obrigatório, o governo corta, de novo, obras e custeio.
Máquina no limite
Quando a receita frustra, o espaço livre encolhe a ponto de travar o básico: bloqueio na Saúde, passaporte suspenso, obra federal parada.
Projeção· analistas de mercado e relatórios orçamentários

Sem mudar as regras de reajuste, as despesas obrigatórias caminham para ocupar 100% do Orçamento. É o "apagão fiscal": a partir de 2027, o governo perderia a capacidade de pagar as despesas discricionárias.

As regras fiscais diante do gasto obrigatório

Teto de Gastos (EC 95/2016)

Limitou o gasto total à inflação. Mas não freou o crescimento do gasto obrigatório. O aperto caiu sobre investimento e custeio, e a regra perdeu apoio político.

Arcabouço Fiscal (LC 200/2023)

Permite crescimento real do gasto entre 0,6% e 2,5% ao ano. Trouxe de volta o aumento real do salário mínimo e os pisos de Saúde e Educação. Com o bloco obrigatório crescendo rápido, a regra passou a depender de mais receita: foram 137 alterações em tributos.

Propostas em debate

Economistas e especialistas em finanças públicas dizem que o ajuste não cabe em um ano só. Defendem um caminho longo, aprovado por emendas à Constituição, em três frentes:

  1. Começar pelo topo

    Cortar supersalários, auxílios isentos e "penduricalhos" no Judiciário, no Legislativo e na elite do funcionalismo, antes de mexer em benefícios sociais.

  2. Rever benefícios tributários

    Reduzir isenções de setores e de faixas de renda alta, como os R$ 20 bilhões por ano em deduções do Imposto de Renda com saúde e escola privadas.

  3. Rever reajustes automáticos

    Desvincular do salário mínimo os benefícios de valor mais alto, rever a Previdência de militares e regimes especiais e aumentar a produtividade do trabalho.

São propostas em debate, não recomendações do Brasil Quebrado. Fonte: levantamento editorial do Brasil Quebrado (referência primária não informada).

No seu bolso: quando o gasto obrigatório toma quase tudo, o corte cai sobre o que sobra: a estrada fica sem manutenção, o posto fica sem insumo, a universidade corta bolsas e o passaporte demora.

Quem paga
06 / 07Análise

Quem vai pagar essa conta?

Já acontece

Famílias

Famílias negativadas pagam juros maiores e perdem acesso a crédito mais barato.

Quantas pessoas estão negativadas e quanto custa o crédito

Empresas

Com crédito caro, o lucro vai para o banco. A empresa contrata menos e adia investimento. O governo, ao pagar juros altos nos títulos, atrai a poupança que financiaria a produção — o chamado efeito expulsão.

Dado oficial

Juros do crédito para empresas

24,19 % a.a.

Curto e médio prazo · crédito livre para empresas

Fonte: BCB · ago/2026 · % a.a. · atualizado em 19/10/2026

Pode acontecer

  • Provável

    Mais bloqueio de verbas em 2027, que costuma recair sobre obras e manutenção de serviços.

  • Risco potencial

    Juros altos por mais tempo, se a dívida continuar subindo.

  • Risco potencial

    Menos capital de giro para o pequeno comércio com o split payment, que retém o imposto no momento da venda.

Veja as projeções e os cortes previstos para 2027
O próximo governo
07 / 07Análise

Os desafios do próximo governo

Esta seção vale para qualquer governo eleito.

2027 é o primeiro ano do próximo governo e começa com a conta apertada.

O Orçamento promete sobra. A IFI e o mercado projetam falta. Essa diferença terá de ser coberta com corte de gastos, mais receita ou mais dívida.

Parte do ajuste já começou em 2026. Pelas contas da IFI, não basta: 2027 vai exigir cortes maiores.

Projeção· IFI

IFI vê déficit primário de R$ 86,1 bilhões em 2027, contra superávit de R$ 18,6 bilhões no Orçamento.

Após as deduções legais, o resultado ficaria em cerca de R$ 0,9 bilhão, abaixo do piso da meta (R$ 36,6 bilhões).

A IFI ressalva que a divergência vem de premissas legítimas (PIB de 1,8% contra 2,5%), e não de erro técnico. Mesmo cumprida, a meta ficaria longe do necessário para estabilizar a dívida.

Conceito: Resultado primário do Governo Central em 2027, antes e depois das deduções legais da meta. · Fonte: IFI · Horizonte: 2027

Projeção· Prisma Fiscal

Mercado projeta déficit primário de R$ 44 bilhões e dívida bruta de 87% do PIB em 2027.

A mediana de outubro/2026 prevê déficit de R$ 53 bilhões em 2026 e dívida de 83,4% do PIB. A projeção do governo para a dívida em 2027 é de 86%.

O FMI projeta 100%, mas por critério diferente, que inclui os títulos na carteira do Banco Central.

Conceito: Mediana das expectativas de mercado (Prisma Fiscal) para o resultado primário e a dívida bruta; o número do FMI usa outro critério de dívida. · Fonte: Prisma Fiscal · Horizonte: 2027

Esses números não são comparáveis diretamente. O governo e a IFI medem o resultado com e sem deduções da meta, e os critérios de dívida divergem. Cada cartão informa o conceito que usa.

Cortes: o que já foi feito e o que ainda falta

O segura gasto para respeitar o limite. O segura gasto quando falta receita para a meta.

Análise

Já feito em 2026

R$ 16,1 bilhões

de despesas travadas em 2026. No relatório anterior eram R$ 17,9 bilhões.

Bloqueio

R$ 2,4 bilhões

Antes, os R$ 17,9 bilhões estavam todos bloqueados. A previsão de gasto obrigatório sob o limite caiu R$ 15,5 bilhões, e o bloqueio pôde diminuir.

Contingenciamento

R$ 13,6 bilhões

Serve para cumprir o piso da meta: resultado primário zero, com receita igual à despesa. Já inclui R$ 5 bilhões em créditos para a subvenção do diesel e R$ 10 bilhões em outros créditos abertos no período.

Arredondadas, as duas parcelas somam R$ 16,0 bilhões.

Por que o bloqueio caiu: principais quedas na previsão de gasto obrigatório
DespesaQueda na previsão
Benefícios da Previdência (revisões do INSS)−R$ 11,5 bilhões
Pessoal e encargos−R$ 4,1 bilhões
BPC/LOAS−R$ 1,8 bilhão
Subsídios/Proagro−R$ 1,1 bilhão

A folga na Previdência, segundo o governo, abriu espaço para o reajuste de 15% do Bolsa Família, que custa R$ 5,8 bilhões.

Fonte: Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do 4º bimestre (set/2026)

  • Saúde com verba travada

    O Ministério da Saúde teve R$ 2,9 bilhões bloqueados. A pressão vem do avanço do gasto obrigatório, que tira espaço do resto.

    Fonte: levantamento editorial do Brasil Quebrado (referência primária não informada)

  • Piso da saúde menor

    A LC 235/2026 reduz o piso da saúde em R$ 4,7 bilhões e permite antecipar até R$ 3 bilhões de despesa para 2026. Para 2027, estimativas de terceiros vão de R$ 8,6 a 16,6 bilhões; o Executivo cita R$ 10 bilhões de economia.

    Fonte: IFI; Executivo federal; estimativas de terceiros

  • Pé-de-Meia dentro do piso da educação

    O programa passa a contar no piso da educação. Na prática, o mesmo piso cobre mais despesas, sem dinheiro novo.

    Fonte: IFI

Já estão contratados para 2027 os gatilhos do arcabouço, acionados pelo déficit de 2025: a folha de pessoal fica limitada a 0,6% de crescimento real e novos benefícios tributários ficam congelados. Fonte: Money Times.

Projeção· IFI e Ministério do Planejamento

O que ainda falta em 2027

  • R$ 35,7 bilhões

    de contingenciamento para cumprir a meta de 2027, segundo a IFI.

    Fonte: IFI · Horizonte: 2027

  • R$ 52,4 bilhões

    é quanto as despesas discricionárias (R$ 272,2 bilhões) passam do espaço compatível com o limite, de cerca de R$ 219,8 bilhões.

    Fonte: IFI · Horizonte: 2027

  • 89,4%

    do limite de R$ 2,577 trilhões já está tomado por despesas obrigatórias, que crescem R$ 131,4 bilhões (6,0%).

    Fonte: IFI · Horizonte: 2027

  • R$ 20 bilhões

    de remanejamento no Orçamento de 2027 para caber as novas medidas e programas, cerca de 1% das despesas sujeitas ao limite.

    Fonte: Ministério do Planejamento (entrevista do ministro Bruno Moretti) · Horizonte: 2027

  • 2,1% do PIB

    de superávit seria preciso para estabilizar a dívida, contra a meta de 0,5%.

    Fonte: IFI · Horizonte: 2027

Se a receita vier menor — por PIB, inflação, petróleo ou pelo fim das bets, que pode tirar de R$ 5 a 6 bilhões —, o Planejamento promete novos contingenciamentos. O corte cairia sobre as discricionárias do Poder Executivo, de R$ 150 bilhões. Esse valor cobre só o Executivo; o número da IFI usa outro recorte. Fonte: Ministério do Planejamento.

No seu bolso: Quando falta espaço, o corte cai sobre o que não é obrigatório: investimento, como obras, e custeio, como a manutenção de serviços. É aí que o cidadão sente: obra parada, fila maior, serviço pior.

Calendário de 2027

Calendário de 2027: quando, o que acontece, valor e fonte
QuandoO que aconteceValorFonte
05/janPosse do novo governo. Entram em vigor o salário-paternidade, o salário mínimo estimado em R$ 1.741, o teto do MEI de R$ 110 mil, a CBS plena (R$ 636,8 bilhões) e o início facultativo do split payment.—IFI, Câmara, Poder360
Ao longo do anoO Imposto Seletivo depende de lei ordinária ainda não enviada.R$ 42 bilhões de receita condicionadaIFI
Ao longo do anoPrimeiro teste de bloqueio e contingenciamento do novo governo, nos relatórios bimestrais.ver cortes necessários acimaIFI

O que sustenta o cenário negativo

Premissas otimistas do governo
O Orçamento usa PIB de 2,5%; a IFI usa 1,8% e o Focus, 1,5%. Usa também massa salarial de 10,1%, contra 7,3% da IFI, e transferências a estados menores que as da IFI. A IFI aponta precatórios subestimados em R$ 17,3 bilhões e Previdência, BPC e abono abaixo do que ela projeta. O ganho com revisão de gastos (R$ 16 bilhões em 2027) é visto com ceticismo pela IFI; se não vier, o corte terá de ser maior.
Fonte: IFI; Focus (Banco Central)
Juros
A Selic está em 13,75%, e Orçamento e IFI assumem 12% ao fim de 2027. Os títulos a taxa flutuante (Selic) são 52,74% da dívida pública federal (ago/2026). Segundo o dossiê do projeto, cada ponto de Selic mantido por 12 meses custa cerca de R$ 68,9 bilhões. O prêmio de risco ligado à dívida chegou a 3,16 pontos percentuais.
Fonte: Banco Central; Tesouro Nacional; dossiê do projeto; IFI
Aviso prévio de 2025
A ministra Simone Tebet disse que, a partir de 2027, ninguém governa com o arcabouço atual sem gerar inflação e dívida.
Fonte: declaração pública de 2025

O legado das Eleições de 2026 para 2027

A IFI contabiliza R$ 298,4 bilhões mobilizados em 2026: R$ 93,8 bilhões com impacto primário e R$ 185,7 bilhões em medidas financeiras, como crédito subsidiado que retorna ao Tesouro. O subsídio implícito é de R$ 10,2 bilhões a valor presente. Fonte: IFI.

Custos que continuam em 2027 ou depois

  • Reajuste de 15,04% do Bolsa Família, permanente.
  • Proibição das bets, com perda de R$ 5,3 bilhões de receita em 2027.
  • Desenrola 3.0, com R$ 5 bilhões em 2027.
  • Teto do MEI (R$ 8,1 bilhões em 3 anos).
  • Perdão de dívidas do MEI (R$ 3 bilhões em 3 anos).
  • Pix MEI (R$ 5 bilhões em 4 anos).
  • Tarifa zero aos fins de semana, de R$ 7 a 8 bilhões (ainda proposta).
  • Subvenção ao diesel: R$ 2,12 por litro (cerca de R$ 10,5 bilhões a cada 30 dias), autorizada até 26/out/2026. O governo diz que a receita extra do petróleo compensa parte. Ela responde a um choque externo (Brent acima de US$ 100 em março).

Ressalvas. Os valores acima vêm de fontes distintas e não se somam. Não há evidência documental de finalidade eleitoral: o que se pode afirmar é que são medidas anunciadas em período eleitoral com custo que se estende além de 2026. A própria IFI descreve o quadro como deterioração gradual, não crise iminente.

Como isso afeta você e as empresas?

O que está acontecendo?
Provável2027 começa com o Orçamento prevendo superávit, enquanto IFI e mercado projetam déficit.
Por que importa?
ProvávelServiços públicos: com R$ 272 bilhões de discricionárias espremidos sob o limite, o bloqueio costuma recair sobre investimento e custeio.
Qual o efeito no orçamento da família?
ProvávelDívida maior tende a manter os juros altos por mais tempo: encarece cartão, cheque especial, carro e casa. Corte de verbas aparece como obra parada e fila maior no serviço público.
Qual o efeito em custos, vendas e investimentos das empresas?
ProvávelCrédito caro e incerteza sobre receitas condicionadas, como o Imposto Seletivo, dificultam o planejamento. A alíquota de referência de IBS e CBS é estimada em 27,91%, acima da trava de 26,5%.
Quais as consequências no curto, médio e longo prazo?
Risco potencialCurto prazo: bloqueio de verbas e novas medidas de receita em 2027. Médio prazo: revisão ou esgotamento das regras fiscais.

Dados atualizados conforme o calendário oficial de cada fonte · Fontes e metodologia