Fernando Henrique Cardoso
FHC · 1995–2002
O Plano Real eliminou a hiperinflação, mas exigiu ajuste fiscal. Em 1994, o superávit primário foi de cerca de 5% do PIB. No segundo mandato veio novo ajuste, com apoio do FMI e da CPMF, e superávits em torno de 3% do PIB. Em paralelo, a Constituição de 1988 já havia contratado o crescimento contínuo das despesas obrigatórias, pressionadas pelo envelhecimento da população.
Luiz Inácio Lula da Silva
Lula I · 2003–2006
O ajuste foi feito mais pela receita do que pelo corte de gastos. O gasto primário do Governo Central subiu de 21,6% do PIB (2002) para cerca de 23% (2006, estimativa), e a receita bruta, de 23,9% para 25,3%. O Ipea chamou o padrão de spend-and-tax (gastar e tributar). A dívida líquida caiu de 59,9% para 46,5% do PIB, o ponto favorável do período. Num ciclo global forte, o PIB cresceu em média 3,5% ao ano, contra 4,0% do mundo e 4,3% da América Latina (Banco Mundial). O crédito saiu de 21,8% do PIB no início de 2003 e chegou a 41,1% em dez/2008; a maior parte dessa alta ocorreu em Lula II.
Luiz Inácio Lula da Silva
Lula II · 2007–2010
O crescimento veio forte, com PIB de 6,1% (2007), 5,1% (2008), −0,1% (2009) e 7,5% (2010), mas o Estado cresceu junto. A folha salarial federal subiu 8,5% ao ano em termos reais entre 2006 e 2010, contra 3,9% no ciclo anterior. O superávit primário recuou de 3,3% do PIB (2008) para 2,6% (2010). Em 2009 o Tesouro começou a financiar o BNDES, e esses empréstimos foram de 0,2% do PIB (2008) a 8,6% (2015). A dívida líquida caiu (46,5% para 38,0% do PIB), mas o período deixou a base de gastos e subsídios que seria cobrada depois.
Dilma Rousseff
Dilma I · 2011–2014
O PIB médio foi de 2,4% ao ano (4,0%, 1,9%, 3,0% e 0,5%), com o IPCA sempre acima de 5,8%. O superávit primário do setor público caiu de 2,9% do PIB (2011) para déficit em 2014. Foi o primeiro déficit do governo central na série iniciada em 1997 (R$ 23,5 bi): a despesa cresceu 12,8% e a receita só 3,6%, e a meta original de R$ 80,7 bi foi abandonada. A dívida bruta passou de 51,5% (2013) para 56,3% (2014).
Dilma Rousseff
Dilma II · 2015–2016
O PIB caiu 3,5% (2015) e 3,3% (2016), uma queda acumulada de cerca de 6,7%. O IPCA chegou a 10,67% em 2015, o maior desde 2002. O governo central fechou com déficit primário de R$ 120,5 bi (2015) e R$ 161,3 bi (2016), o pior da série até então. A dívida bruta saltou de 56,3% (2014) para 69,8% (2016) do PIB, alta de 13,6 pontos em dois anos. Boa parte do problema envolveu passivos com bancos públicos e FGTS a regularizar. O mandato foi interrompido em agosto de 2016.
Michel Temer
Temer · 2016–2018
O Teto de Gastos limitou o crescimento da despesa total à inflação do ano anterior. Não previu gatilhos automáticos sobre as despesas obrigatórias, que dependem de emenda constitucional. Elas continuaram a crescer e comprimiram as discricionárias, como o investimento, o que gerou pressão represada.
Jair Bolsonaro
Bolsonaro · 2019–2022
Aprovou a reforma da Previdência (EC 103/2019), com economia projetada na casa de centenas de bilhões em dez anos (R$ 933,5 bi na versão da Câmara). A dívida bruta recuou do pico de 86,9% do PIB (2020, pandemia) para 71,7% (2022). O governo central teve superávit primário de R$ 46,4 bi em 2022, o primeiro em oito anos. O desemprego caiu do recorde de 14,9% (1º tri/2021) para 7,9% no 4º tri/2022, e o PIB cresceu 4,8% em 2021 e 3,0% em 2022.
Luiz Inácio Lula da Silva
Lula III · 2023–mandato em curso
O governo começou com a PEC da Transição, que ampliou os gastos fora do teto. O arcabouço fiscal permite crescimento real da despesa entre 0,6% e 2,5% ao ano e se apoiou em medidas de arrecadação, sem travas sobre as obrigatórias. Em ago/2026, a dívida bruta chegou a 82,9% do PIB (R$ 11,055 trilhões), a maior desde dez/2020. Pelo critério do FMI, chega a 94,5% do PIB. Em 12 meses até ago/2026, os juros nominais somaram R$ 1,182 trilhão (8,86% do PIB), e o primário do Governo Central ficou em −R$ 70,7 bilhões (−0,53% do PIB). A carga tributária bruta de 2025 foi recorde: 32,40% do PIB (estimativa preliminar).
Marcos de crises e regras fiscais: dado indisponível.